{"id":392,"date":"2011-11-03T19:25:47","date_gmt":"2011-11-03T19:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/?p=392"},"modified":"2020-11-03T19:26:40","modified_gmt":"2020-11-03T19:26:40","slug":"relacoes-publicas-conceitos-e-preconceitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/relacoes-publicas-conceitos-e-preconceitos\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas: conceitos e preconceitos"},"content":{"rendered":"\n<p>A falta de precis\u00e3o da m\u00eddia ao manipular conceitos importantes tem se tornado cada vez mais freq\u00fcente e, com certeza, deriva de dois motivos b\u00e1sicos: desconhecimento dos que deles lan\u00e7am m\u00e3o ou absoluta m\u00e1 f\u00e9. Na verdade, seria l\u00edcito esperar que comunicadores, em particular jornalistas (que s\u00e3o infelizmente grandes infratores conceituais), estejam atualizados, privilegiem a qualidade da informa\u00e7\u00e3o que veiculam e n\u00e3o contemplem conceitos como express\u00f5es vazias, sem conte\u00fado. Mas \u00e9 isso que acontece. Muitos profissionais de imprensa e ve\u00edculos t\u00eam conseguido jogar na cesta do lixo conceitos de indiscut\u00edvel relev\u00e2ncia como responsabilidade social, cidadania, sustentabilidade, porque est\u00e3o ref\u00e9ns ou de sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia ou de releases e entrevistas oriundas de fontes empresariais oportunistas. \u00a0Desta forma, acreditam e fazem circular informa\u00e7\u00f5es sobre a responsabilidade social da ind\u00fastria tabagista (quem mata milh\u00f5es em todo o mundo n\u00e3o merece esta boa vontade jamais), exaltam o apoio das casas de bingos ao esporte brasileiro (vamos acabar com esta ilegalidade logo?) e imaginam que a ind\u00fastria agroqu\u00edmica e de minera\u00e7\u00e3o possam ser sustent\u00e1veis (agrot\u00f3xico \u00e9 veneno e mata mesmo e queremos mais respeito com os ind\u00edgenas). Ao mesmo tempo, fecham com as ag\u00eancias de propaganda e empres\u00e1rios da comunica\u00e7\u00e3o que defendem a liberdade de express\u00e3o para a ind\u00fastria de bebidas, de armas ou para a ind\u00fastria de alimentos que seduz e torna nossas crian\u00e7as obesas, quando est\u00e3o mirando apenas os seus lucros. N\u00e3o t\u00eam qualquer perspectiva cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s montadoras (um recall por semana) e \u00e0 ind\u00fastria da sa\u00fade, e continuam proclamando aos quatro ventos os milagres de seus produtos, muitos deles fatais para grupos de risco. S\u00e3o at\u00e9 capazes de chamar planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos de floresta porque sua vis\u00e3o de biodiversidade \u00e9 mais estreita do buraco de agulha. Incomoda da mesma forma a vis\u00e3o preconceituosa com que, repetidamente, a m\u00eddia tem se referido \u00e0 atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, considerada muitas vezes como vil\u00e3 da sociedade, considerando comportamentos e posturas individuais como express\u00e3o de toda uma categoria. Evidentemente, existem desvios no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, mas eles s\u00e3o comuns (e como) em outras atividades tamb\u00e9m. Militares que entregam jovens para mil\u00edcias rivais, submetendo-as \u00e0 tortura e \u00e0 morte; governantes e pol\u00edticos corruptos, embora eleitos com milh\u00f5es de votos; empres\u00e1rios que exploram o trabalho escravo e publicit\u00e1rios que fazem o jogo dos grandes interesses comerciais existem aos montes por esse Brasilz\u00e3o afora. \u00a0Como s\u00e3o comuns os jornalistas que vivem atr\u00e1s de um jab\u00e1 e ve\u00edculos que estabelecem rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas com o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. A atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u00e9 essencial para uma sociedade democr\u00e1tica porque as organiza\u00e7\u00f5es dependem, cada vez mais, de profissionais e projetos que estabele\u00e7am uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e harm\u00f4nica com os seus p\u00fablicos de interesse. Uma sociedade moderna, justa, democr\u00e1tica n\u00e3o pode abrir deste di\u00e1logo permanente promovido por verdadeiros Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas; pelo contr\u00e1rio, precisa dispor de a\u00e7\u00f5es, planos, estrat\u00e9gias e pol\u00edticas para a inser\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es na sociedade, e a atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, quando aut\u00eantica (a ileg\u00edtima n\u00e3o merece essa denomina\u00e7\u00e3o) trabalha sempre e de maneira competente neste sentido. \u00c9 triste perceber nos an\u00fancios classificados dos jornais, nas falas de empres\u00e1rios mal informados, nas telenovelas e, sobretudo nos coment\u00e1rios preconceituosos dos jornalistas uma perspectiva equivocada do trabalho dos Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. H\u00e1 quem os confunda com meros organizadores de festinhas e n\u00e3o percebe a import\u00e2ncia dos eventos corporativos para a consolida\u00e7\u00e3o das marcas; h\u00e1 quem os associe a posturas n\u00e3o \u00e9ticas ou de submiss\u00e3o a chefias ou organiza\u00e7\u00f5es (esta mentalidade capacho existe em todo o canto e tem a ver com fraquezas individuais e n\u00e3o com o &#8220;ethos&#8221; de determinada categoria) e n\u00e3o percebe o trabalho fundamental que realizam junto \u00e0s comunidades e a popula\u00e7\u00f5es menos favorecidas. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, em alguns casos, aqueles que se denominam Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (e agridem a atividade) podem estar contribuindo para esta vis\u00e3o distorcida, ao encamparem a\u00e7\u00f5es ou projetos que penalizam a sociedade ou afrontam a \u00e9tica e a transpar\u00eancia. H\u00e1, todos sabemos disso, ag\u00eancias (que se dizem de RP) criando blogs e perfis no Orkut para enganar jornalistas e a sociedade, tentando demonizar movimentos sociais, pregando o &#8220;bom mocismo&#8221; dos fabricantes do tabaco e legitimando predadores ambientais contumazes. \u00a0H\u00e1 empresas (ag\u00eancias\/assessorias) e profissionais a servi\u00e7o de interesses inconfess\u00e1veis que praticam a atividade suja de &#8220;limpeza de imagem&#8221;, buscando salvar a pele de organiza\u00e7\u00f5es sem escr\u00fapulos. Mas, convenhamos, isso n\u00e3o \u00e9 Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, nunca foi e nunca ser\u00e1. N\u00e3o se pode confundir a\u00e7\u00f5es e posturas patol\u00f3gicas em comunica\u00e7\u00e3o com a atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, que se ap\u00f3ia em valores defendidos pela sociedade e que encontra respaldo numa forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria de excelente n\u00edvel em muitas universidades brasileiras (h\u00e1 cursos ruins, mas eles proliferam em todas as \u00e1reas, sobretudo depois da \u00a0explos\u00e3o irrespons\u00e1vel do ensino mercantilista em nosso pa\u00eds). Certamente, o preconceito de ve\u00edculos, de jornalistas, da m\u00eddia em geral com os profissionais e a pr\u00f3pria atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas tem a ver tamb\u00e9m com o ran\u00e7o corporativista que ainda vigora no campo da comunica\u00e7\u00e3o (briga de foice, sem sentido, por um espa\u00e7o que gradativamente vai sendo ocupado por profissionais de outras \u00e1reas) e que apenas confirma a tese de que a comunica\u00e7\u00e3o integrada n\u00e3o passa de uma imensa hipocrisia. N\u00e3o se pode integrar o que est\u00e1 sendo desconstru\u00eddo a todo momento por disputas corporativistas. Est\u00e1 na hora de desarmar os esp\u00edritos, qualificar os conceitos, repudiar os preconceitos e, em especial, de assumir uma vis\u00e3o mais comprometida com a comunica\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Nela, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os para interesses mesquinhos, manipula\u00e7\u00f5es ego\u00edstas ou idiossincrasias profissionais. Os jornalistas e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas precisam definitivamente &#8220;juntar os trapos&#8221;. A comunica\u00e7\u00e3o verdadeiramente estrat\u00e9gica, integrada, passa obrigatoriamente por este casamento promissor. Enquanto persistir este div\u00f3rcio, eivado de preconceitos e incompreens\u00f5es, pouco avan\u00e7aremos. Os espa\u00e7os profissionais em comunica\u00e7\u00e3o ser\u00e3o maiores e mais qualificados, se caminharmos juntos. Como jornalista, um grande abra\u00e7o aos amigos Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. Nossas eternas homenagens a Vera Giangrande, que sempre defendeu esta uni\u00e3o prof\u00edcua e que se entristecia (e se indignava) com a nossa falta de solidariedade. *Wilson da Costa Bueno \u00e9 jornalista, professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social da UMESP e professor de Jornalismo da ECA\/USP. Diretor da Comtexto Comunica\u00e7\u00e3o e Pesquisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A falta de precis\u00e3o da m\u00eddia ao manipular conceitos importantes tem se tornado cada vez mais freq\u00fcente e, com certeza, deriva de dois motivos b\u00e1sicos: desconhecimento dos que deles lan\u00e7am m\u00e3o ou absoluta m\u00e1 f\u00e9. 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