{"id":495,"date":"2010-01-14T23:42:11","date_gmt":"2010-01-14T23:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/?p=495"},"modified":"2020-11-10T23:45:12","modified_gmt":"2020-11-10T23:45:12","slug":"o-pucaro-bulgaro-faz-apresentacao-unica-em-aracaju","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/o-pucaro-bulgaro-faz-apresentacao-unica-em-aracaju\/","title":{"rendered":"O P\u00facaro B\u00falgaro faz apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica em Aracaju"},"content":{"rendered":"\n<p>O P\u00facaro B\u00falgaro, encena\u00e7\u00e3o de Aderbal Freire-Filho para o texto hom\u00f4nimo de Campos de Carvalho, far\u00e1 apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica em Aracaju no pr\u00f3ximo dia 27, a partir das 21:00 h, no Teatro Tobias Barreto. O espet\u00e1culo estreou em 1\u00ba de junho de 2006, no Teatro Poeira (RJ), onde cumpriu temporada de seis meses, tornando-se um dos espet\u00e1culos mais assistidos da temporada, obtendo excelentes cr\u00edticas da imprensa especializada, al\u00e9m de diversas indica\u00e7\u00f5es e pr\u00eamios, tais como: Pr\u00eamio Eletrobr\u00e1s\/Rio\/2006 e Pr\u00eamio Qualidade Brasil\/SP\/2007; Melhor Ator (Gillray Coutinho); Melhor Espet\u00e1culo e Melhor Diretor (Aderbal Freire-Filho); e Pr\u00eamio Contigo\/2007, Melhor Espet\u00e1culo\/Com\u00e9dia.<br><br>Em 2007, O P\u00facaro B\u00falgaro cumpriu uma segunda temporada no Rio de Janeiro (nos teatros Laura Alvin e Leblon) e uma temporada em S\u00e3o Paulo (no Teatro SESC Anchieta). Ainda em 2007 participou do 39\u00ba Festival Internacional de Londrina (FILO), no Paran\u00e1. Em 2008 participou do Festival de Teatro de Vit\u00f3ria (ES) e, a convite da Secretaria Estadual de Cultura do Cear\u00e1, fez apresenta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m em Sobral e Fortaleza. Em 2009 participou do Festival Internacional de Artes C\u00eanicas, em Montevid\u00e9u, Uruguai. Com um elenco afinado e premiado \u2013 alguns dos atores s\u00e3o conhecidos por suas atua\u00e7\u00f5es no cinema e na televis\u00e3o: \u2018A Grande Fam\u00edlia\u2019, \u2018Fant\u00e1stico\u2019, \u2018S\u00edtio do Pica-pau Amarelo\u2019 etc \u2013, o espet\u00e1culo ficou conhecido como uma bem-sucedida e deliciosa viagem teatral.<br><br>Em continuidade a este sucesso, O P\u00facaro B\u00falgaro foi escolhido, atrav\u00e9s de edital p\u00fablico da Petrobras, como um dos espet\u00e1culos a integrar o Programa BR de Cultura 2009\/2010 para apresenta\u00e7\u00f5es em 13 cidades das cinco regi\u00f5es do Brasil: Macei\u00f3, Aracaju, Recife, Teresina, Bel\u00e9m, Manaus, Rio Branco, Cuiab\u00e1, Goi\u00e1s Velho, Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia, Belo Horizonte e Curitiba. Com cerca de 1.200 Kg, o cen\u00e1rio viaja de caminh\u00e3o, sendo que o caminh\u00e3o viajar\u00e1 de balsa no percurso de Bel\u00e9m a Manaus (Rio Amazonas e Rio Negro) e de Manaus a Porto Velho (Rio Amazonas e Rio Madeira). Um total de 15.461 km percorridos.<br><em><strong><br>\u201cSe a Bulg\u00e1ria existe, ent\u00e3o a cidade de Sofia ter\u00e1 fatalmente que existir.\u201d<\/strong><\/em><br><br>Assim come\u00e7a a explica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria que abre o \u00faltimo romance do escritor brasileiro Campos de Carvalho. O narrador da hist\u00f3ria descobre, no Museu Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico da Filad\u00e9lfia, um p\u00facaro b\u00falgaro, provavelmente do in\u00edcio do s\u00e9culo 13 A.C., sob a dinastia Lovtschajik, e a partir da\u00ed decide empreender uma expedi\u00e7\u00e3o em busca do fabuloso reino da Bulg\u00e1ria. Instalado no bairro carioca da G\u00e1vea, come\u00e7a sua aventura colocando um an\u00fancio no jornal: \u2018EXPEDI\u00c7\u00c3O \u00c0 BULG\u00c1RIA. PROCURAM-SE VOLUNT\u00c1RIOS.\u2019 A partir desse an\u00fancio forma-se o grupo de expedicion\u00e1rios, integrado por um professor de bulgarologia, de nome Radam\u00e9s Stepanovicinsky, natural do Cear\u00e1, um tal Pernacchio, um cidad\u00e3o chamado Ivo Viu A Uva e um Expedito N\u00e3o Sei Do Que. O romance \u00e9 o di\u00e1rio dessa \u201cfamosa expedi\u00e7\u00e3o\u2026 com o que se passou ou n\u00e3o se passou de importante nesse, com perd\u00e3o da palavra, interregno\u201d.<br><br><em><strong>\u201cUm romance-em-cena puro sangue\u201d<\/strong><\/em><br><br>S\u00e9rgio Salvia Coelho, cr\u00edtico da Folha de S\u00e3o Paulo, diz que O P\u00facaro B\u00falgaro \u00e9 \u201cum romance-em-cena puro sangue\u201d se referindo ao g\u00eanero novo que leva cada ator a ser narrador de si mesmo no pr\u00f3prio momento em que age, mantendo o texto integral por meio de um vertiginoso rod\u00edzio de personagens. O romance-em-cena \u00e9 o jogo da ilus\u00e3o no teatro levado ao paroxismo, verdade e mentira escancaradas simultaneamente, o discurso em terceira pessoa e a a\u00e7\u00e3o na primeira pessoa. \u00c9 ainda a comunh\u00e3o carnal mais acabada do \u00e9pico e do dram\u00e1tico, o tempo inteiro narrativo e o tempo inteiro dram\u00e1tico. Uma vers\u00e3o radical do sonho de alguns te\u00f3ricos do s\u00e9culo 20 de convidar para a mesma mesa Arist\u00f3teles e Brecht.<br><br><br><strong>SINOPSE<\/strong><br><br>No ver\u00e3o de 1958, Hil\u00e1rio, o personagem central do romance, descobre um p\u00facaro b\u00falgaro numa pequena sala do Museu Hist\u00f3rico de Filad\u00e9lfia. A partir da\u00ed, obcecado por esse fato, move mundos e fundos a fim de organizar uma expedi\u00e7\u00e3o que pudesse comprovar ou n\u00e3o a exist\u00eancia da Bulg\u00e1ria (j\u00e1 que da exist\u00eancia dos p\u00facaros ele n\u00e3o duvida). Em seu apartamento no alto da G\u00e1vea, recebe toda a sorte de personagens esdr\u00faxulos, candidatos a tomar parte na viagem \u2013 um alfarrabista interessado em abrir uma f\u00e1brica de acentos circunflexos na Bulg\u00e1ria, um descendente do s\u00e1bio hindu que inventou o zero, um professor de bulgarologia e bulgarosofia, um sujeito chamado Expedito, e que pelo nome se acha credenciado para a expedi\u00e7\u00e3o, um ex-habitante de Pizza que descobriu que a cidade, e n\u00e3o a torre do mesmo nome, \u00e9 que est\u00e1 inclinada \u2013 enfim, um grupo surreal, dos quais alguns s\u00e3o aceitos para participar da aventura.<br><br>Entre os meses de outubro e dezembro de 60, per\u00edodo em que decorre a a\u00e7\u00e3o do romance, s\u00e3o ultimados os preparativos, escolhido o meio de transporte e tra\u00e7ado o roteiro rocambolesco (com a ajuda inestim\u00e1vel do professor de bulgarologia) que far\u00e3o Hil\u00e1rio e seus expedicion\u00e1rios para tentar descobrir (\u201cou n\u00e3o descobrir\u201d) se a Bulg\u00e1ria existe mesmo. Ao final, depois que o expedicion\u00e1rio Expedito foge com a empregada da casa (amante de Hil\u00e1rio) e um cheque de dois milh\u00f5es, o restante grupo de expedicion\u00e1rios transforma a iminente partida para a Bulg\u00e1ria numa inocente partida de p\u00f4quer e desiste da empreitada.<br><br><strong><br>ASPAS DO DIRETOR ADERBAL FREIRE-FILHO<\/strong><br><br>Campos de Carvalho (1916-1998) foi um dos autores mais incensados e paradoxalmente menos conhecidos da literatura moderna brasileira. O espet\u00e1culo fecha a trilogia de romances-em-cena do diretor Aderbal Freire-Filho, iniciada em 1990 com a montagem de \u2018A mulher carioca aos 22 anos\u2019, de Jo\u00e3o de Minas, e seguida, 13 anos depois, por \u2018O que diz Molero\u2019, de Dinis Machado. Com cen\u00e1rios de Fernando Mello da Costa, figurinos de Biza Vianna, ilumina\u00e7\u00e3o de Maneco Quinder\u00e9 e m\u00fasica de Tato Taborda, a empreitada teatral ap\u00f3ia-se no humor inventivo e delirante daquele que forma, ao lado de Guimar\u00e3es Rosa e Clarice Lispector, a chamada \u2018sant\u00edssima trindade\u2019 da prosa brasileira.<br><br>Os textos de Campos de Carvalho, escritos nas d\u00e9cadas de 50 e 60, surpreendem pelo fluxo incessante de eventos conduzidos por livre associa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias, o que o faz ser considerado como um escritor de filia\u00e7\u00e3o tardia ao movimento dada\u00edsta. Ele foi autor de obra reduzida, mas isso n\u00e3o o impediu de ser inclu\u00eddo por parte da cr\u00edtica especializada entre os dez maiores escritores brasileiros do s\u00e9culo 20, conforme atestou Jorge Amado no pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada em 1995 pela Jos\u00e9 Olympio Editora reunindo os quatro romances mais importantes do autor, dentre os quais O P\u00facaro B\u00falgaro: \u201c\u00e9 uma das obras maiores da literatura brasileira, que finalmente reencontra o caminho do p\u00fablico e do reconhecimento da cr\u00edtica\u201d.<br><br>As afinidades entre os romances-em-cena n\u00e3o se restringem no palco ao ritmo vertiginoso da montagem. Todas preservam o texto original, principal caracter\u00edstica do g\u00eanero: \u201cO que fa\u00e7o \u00e9 explorar ao m\u00e1ximo as possibilidades teatrais desse material liter\u00e1rio. A raz\u00e3o \u00e9 querer manter o sabor que as palavras e as descri\u00e7\u00f5es de personagens e lugares t\u00eam no original. Mas como n\u00e3o h\u00e1 um narrador em cena, cabe aos personagens fazer as narra\u00e7\u00f5es, inclusive sobre si pr\u00f3prios. Sem adapta\u00e7\u00e3o, obviamente o que eles dizem fica na terceira pessoa, assim como faz o Pel\u00e9\u201d, diverte-se Aderbal. \u201cDessa forma, tento levar \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias a natureza ilus\u00f3ria da cena, brincando o tempo inteiro com a verdade e a mentira, com a farsa da representa\u00e7\u00e3o\u201d, conclui.<br><br>Para Aderbal, outra caracter\u00edstica fundamental nos romances-em-cena \u00e9 o humor: \u201cN\u00e3o acredito que possa fazer um g\u00eanero como esse sem ser nesse registro do buf\u00e3o, da caricatura. At\u00e9 porque s\u00e3o quase 50 personagens \u2013 em \u2018A mulher carioca\u2019 e \u2018Molero\u2019 eram quase 200 \u2013, fica muito perto da farsa\u2019, explica. A diferen\u00e7a deste para o espet\u00e1culo anterior \u00e9 que enquanto \u2018O que diz Molero\u2019 alternava humor com lirismo, \u2018O p\u00facaro b\u00falgaro\u2019 intercala um humor popular, escrachado, com outro sofisticado, cheio de refer\u00eancias cultas, mais sutil. Campos de Carvalho \u00e9 mestre nisso. \u00c9 um extrato de humor especial\u00edssimo, herdeiro do humor extremado de Rabelais\u201d, compara Aderbal. \u201cA literatura que eu gosto, as coisas que me atraem s\u00e3o levadas pela for\u00e7a do riso; a nobreza do humor, do riso \u00e9 fundamental. Todos os romances-em-cena s\u00e3o muito divertidos\u201d.<br><br>Para dar conta de meia centena de personagens, o diretor convocou um elenco com os j\u00e1 familiarizados com o romance-em-cena Gillray Coutinho, que participou das duas montagens anteriores e Candido Damm (\u2018A Mulher Carioca\u2019), e os estreantes no g\u00eanero Jos\u00e9 Mauro Brant, Ana Barroso e Isio Ghelman, com os quais, no entanto, o diretor j\u00e1 havia trabalhado em outras montagens. Todos interpretam um personagem fixo, presente ao longo da trama, al\u00e9m de cerca de outros dez. Os cinco atores se revezam ainda na interpreta\u00e7\u00e3o do protagonista, o que refor\u00e7a o car\u00e1ter nonsense do texto. Nonsense que est\u00e1 presente tamb\u00e9m nas refer\u00eancias dada\u00edstas dos cen\u00e1rios, figurinos e nos quase cem adere\u00e7os em cena, como um enorme \u00f3culos de uma lente s\u00f3.<br><br><strong><br>O QUE DIZ A IMPRENSA\/CR\u00cdTICA<\/strong><br><br>Em O GLOBO, B\u00e1rbara Heliodora escreveu: \u201cO delicioso caos instaurado pela encena\u00e7\u00e3o, fiel ao romance, encontra sua mais perfeita express\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 em um sem-n\u00famero de conversas de surdos (tamb\u00e9m cegos e insanos) mas tamb\u00e9m no inacredit\u00e1vel e fart\u00edssimo del\u00edrio vocabular. A sequ\u00eancia de palavras que v\u00e3o sugerindo umas \u00e0s outras por semelhan\u00e7a ortogr\u00e1fica ou confus\u00e3o sonora empresta um dinamismo fascinante que, embora liter\u00e1rio, adquire valores dram\u00e1ticos e c\u00eanicos incontest\u00e1veis.\u201d<br>\u00a0<br>No JORNAL DO BRASIL, Macksen Luiz destacou: \u201cA for\u00e7a da elabora\u00e7\u00e3o verbal do liter\u00e1rio \u00e9 traduzida pelo diretor com desconcertante apropria\u00e7\u00e3o que acompanha a voracidade e din\u00e2mica que, em borbot\u00f5es, se derramam pelo livro e se espalham pelo palco. (\u2026) A proposta intensamente teatral do diretor acompanha a radicalidade do romance original com a mesma pontua\u00e7\u00e3o absurda e ferina.\u201d<br>\u00a0<br>Na FOLHA DE S\u00c3O PAULO, S\u00e9rgio Salvia Coelho d\u00e1 cota\u00e7\u00e3o \u00d3timo para o espet\u00e1culo e escreve: \u201cO P\u00facaro B\u00falgaro \u00e9 um romance-em-cena puro sangue, mais uma etapa vencida na forma\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero novo. O humor furioso do romance de Campos de Carvalho se filia ao surrealismo, sobretudo pela insol\u00eancia em confundir as fronteiras do veross\u00edmil. Bem-aventurados aqueles que vivem do prazer de fazer bem-feito aquilo que gostam de fazer.\u201d<br>\u00a0<br>No ESTADO DE S\u00c3O PAULO, Mariangela Alves de Lima destaca: \u201cElenco excepcional faz de O P\u00facaro B\u00falgaro uma encena\u00e7\u00e3o inteligent\u00edssima. \u00c9 excepcional o elenco de cinco atores. Tamb\u00e9m presente nesta encena\u00e7\u00e3o inteligent\u00edssima \u00e9 a pitada de s\u00f3bria poesia. Na brincadeira \u00e1gil, na velocidade das transforma\u00e7\u00f5es, por meio da gra\u00e7a picante e picaresca, se insinua uma id\u00e9ia de malandragem carioca que n\u00e3o \u00e9 de hoje.\u201d<br><br>Na TRIBUNA DA IMPRENSA, Lionel Fischer elogia o elenco dizendo: \u201cDificilmente Campos de Carvalho poderia imaginar que sua obra seria transposta para o palco com tanta maestria. Valendo-se de sua poderosa imagina\u00e7\u00e3o e equivalente senso de humor, Aderbal Freire-Filho cria uma din\u00e2mica c\u00eanica completamente enlouquecida, ou seja, em total sintonia com o material que lhe deu origem. O rendimento do elenco s\u00f3 ratifica o que tantas vezes dissemos aqui: o Brasil pode carecer de muitas coisas, menos de int\u00e9rpretes maravilhosos. Raquel Iantas, Augusto Madeira, C\u00e2ndido Damm, Isio Ghelman e Gillray Coutinho exibem desempenhos irretoc\u00e1veis, em especial este \u00faltimo, que na presente montagem apresenta a melhor performance de sua carreira. Para os amantes da arte de representar, a atua\u00e7\u00e3o destes profissionais torna obrigat\u00f3ria uma urgente ida ao Teatro Poeira.\u201d<br><br>A VEJA SP concedeu cota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima ao espet\u00e1culo, destacando: \u201cCinco ex\u00edmios atores revezam-se nos pap\u00e9is de narrador e outros 49 incr\u00edveis personagens, como o homem que diz n\u00e3o existir, o algebrista decidido a fundar uma f\u00e1brica de acentos circunflexos e Ivo Que Viu a Uva, herdeiro do cidad\u00e3o criador do zero. A plat\u00e9ia fica embevecida diante de tanta efici\u00eancia e humor.\u201d<br><br>O cr\u00edtico liter\u00e1rio, ACAD\u00caMICO DA ABL, Antonio Olinto, um dos \u201cdescobridores\u201d de Campos de Carvalho, tamb\u00e9m escreveu sobre o espet\u00e1culo: \u201cAgora est\u00e1 o Rio de Janeiro apresentando \u201cO P\u00facaro B\u00falgaro\u201d numa \u00f3tima vis\u00e3o para o palco de Aderbal Freire-Filho que, pegando o mundo b\u00falgaro e anti-b\u00falgaro de Campos de Carvalho, colocou-o vivo, \u00e1cido, aberto, palpitante e que outros adjetivos possamos inventar. Del\u00edrio de uma lucidez c\u00eanica para cuja expressividade tudo concorre, todo o aparato que se junta no palco para conter a vasta comicidade do autor na sua busca de uma Bulg\u00e1ria em que h\u00e1 p\u00facaros e outros objetos proparox\u00edtonos, num grande espet\u00e1culo que nos mostra o mundo m\u00e1gico de um escritor sem fronteiras. Os atores vivem intensamente essa magia.\u201d<br><br><br><strong>SOBRE O AUTOR, O DIRETOR E O ELENCO<br><br>O AUTOR<\/strong><br><br>CAMPOS DE CARVALHO nasceu em 1\u00b0 de novembro de 1916 em Uberaba, Minas Gerais. Em 1938 formou-se em Direito. Morou em Petr\u00f3polis, Copacabana, Rio e, finalmente, em S\u00e3o Paulo, onde faleceu em 1998. \u00c9 autor de uma obra reduzida, em que se destacam os quatro romances que comp\u00f5em a edi\u00e7\u00e3o conjunta de 1995 da Jos\u00e9 Olympio Editora: A lua vem da \u00c1sia, Vaca de nariz sutil, A chuva im\u00f3vel, O p\u00facaro b\u00falgaro. O pref\u00e1cio dessa obra reunida \u2013 j\u00e1 em 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 assinado por Jorge Amado, que a comenta entusiasmado:<br><br>\u201cPoucas not\u00edcias me alegraram tanto nos \u00faltimos tempos, quanto esta que recebo de Maria Am\u00e9lia Mello, gerente editorial da Jos\u00e9 Olympio Editora: a Jos\u00e9 Olympio vai reeditar os quatro romances publicados por Campos de Carvalho. Tenho vontade de sair gritando \u201caleluia\u201d pelo Rio Vermelho afora: uma das obras maiores da literatura brasileira, por tantos anos esquecida, fora das montras das livrarias, reencontra o caminho do p\u00fablico e do reconhecimento da cr\u00edtica.\u201d<br><br>Os quatro romances foram originalmente publicados entre 1956 e 1964. A partir da publica\u00e7\u00e3o do \u00faltimo deles, Campos de Carvalho abandonou a literatura e alternou fases de total anonimato, com breves reapari\u00e7\u00f5es, uma delas na primeira fase do jornal O Pasquim e tamb\u00e9m no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, onde trabalhou de 1968 a 1978.<br><br>Recentemente foi lan\u00e7ado, com sucesso, nas livrarias Quem tem medo de Campos de Carvalho?, de Juva Batella, que foi originalmente uma disserta\u00e7\u00e3o defendida na PUC-Rio e que \u00e9 saudado pela cr\u00edtica como uma \u201credescoberta\u201d de Campos de Carvalho e \u201cum contato apaixonado\u201d com sua obra. Anterior a essa publica\u00e7\u00e3o, o projeto teatral O P\u00facaro B\u00falgaro \u00e9 fruto de mais uma paix\u00e3o pela obra de Campos de Carvalho, a do diretor de teatro Aderbal Freire-Filho.<br><br><br><strong>O DIRETOR<\/strong><br><br>ADERBAL FREIRE-FILHO criou a maioria dos seus espet\u00e1culos no Rio de Janeiro, a partir de 1972. Tamb\u00e9m dirigiu em outras cidades do Brasil (S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre), em Montevid\u00e9u, Uruguai (onde criou espet\u00e1culos com os elencos da Comedia Nacional del Uruguay e da Instituci\u00f3n Teatral El Galp\u00f3n); em Buenos Aires, Argentina; em Amsterdam, Holanda; e em Madri, Espanha. Ganhou os pr\u00eamios Moli\u00e8re, Shell (em 2003 e 2004), Golfinho de Ouro, Mambembe, entre outros. Por O P\u00facaro B\u00falgaro, recebeu o pr\u00eamio Eletrobr\u00e1s de Melhor Diretor de 2006. Entre seus espet\u00e1culos: M\u00e3o na Luva (Oduvaldo Vianna Filho); A morte de Danton (Buchner); As you like it (Shakespeare); Turandot ou O congresso dos intelectuais (Brecht); Senhora dos afogados (Nelson Rodrigues); Luces de bohemia (Valle-Incl\u00e1n); O homem que viu o disco voador (Fl\u00e1vio M\u00e1rcio); Casa de Boneca (Ibsen); Tio V\u00e2nia (Tchecov), de um total de cerca de 80 montagens. Criou, em 1990, o Centro de Demoli\u00e7\u00e3o e Constru\u00e7\u00e3o do Espet\u00e1culo. Al\u00e9m de encenador, \u00e9 tamb\u00e9m o autor das seguintes pe\u00e7as j\u00e1 encenadas: O tiro que mudou a hist\u00f3ria (em parceria com Carlos Eduardo Novaes); No ver\u00e3o de 1996\u2026; Xambudo; Isabel; C\u00e3ocoisa e a coisa homem. Publicou \u2018Conversaciones con um director de teatro\u2019, com o cr\u00edtico Rub\u00e9n Castillo, em Montevid\u00e9u (Ed. Banda Oriental) e \u00e9 autor de artigos em revistas nacionais e estrangeiras. Foi coordenador da comiss\u00e3o que projetou o Curso de Dire\u00e7\u00e3o Teatral, da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De 1994 a 1999, foi membro do Conselho Assessor do Festival Iberoamericano de Teatro, de C\u00e1diz, Espanha. Tem espet\u00e1culos inclu\u00eddos na Encyclopedie mondiale des arts du spectacle dans la seconde moiti\u00ea du XXe. Si\u00e8cle, La sc\u00e8ne moderne (Editions Carr\u00e9, Paris, 1997).<br><br><br><strong>O ELENCO<\/strong><br><br>ANA BARROSO &#8211; Iniciou no Tablado, no Rio de Janeiro. Atuou em mais de 20 espet\u00e1culos, entre eles: \u2018O Tiro que mudou a Hist\u00f3ria\u2019, \u2018Turandot, ou O Congresso dos Intelectuais\u2019, e \u2018Senhora dos Afogados\u2019, sob a dire\u00e7\u00e3o de Aderbal Freire-Filho. Trabalhou com o grupo Due Mondi na It\u00e1lia. Desde 1990 desenvolve um trabalho voltado para o p\u00fablico infantil, produzindo \u2018A Hist\u00f3ria de Topetudo\u2019, \u2018A Hist\u00f3ria do Califa\u2019, \u2018A Hist\u00f3ria de Catarina\u2019, entre outros, tendo recebido v\u00e1rios pr\u00eamios. Recebeu o Pr\u00eamio Coca-Cola de Teatro Jovem\/96 (melhor atriz) e outras indica\u00e7\u00f5es para pr\u00eamios de melhor atriz em 97 e 98. Integra o Centro Brasileiro de Teatro para Inf\u00e2ncia e Juventude (CBTIJ).<br><br>C\u00c2NDIDO DAMM &#8211; Ator de vasta experi\u00eancia no teatro, desde 1989 trabalha com Aderbal Freire-Filho em pe\u00e7as como: \u2018A Mulher Carioca aos 22 anos\u2019, \u2018O Tiro que mudou a Hist\u00f3ria\u2019, \u2018Tiradentes\u2019, \u2018Senhora dos Afogados\u2019, \u2018Instru\u00e7\u00f5es de Uso\u2019 (assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o), \u2018O Congresso dos Intelectuais\u2019, \u2018Estatuto de Gafieira\u2019 e \u2018O P\u00facaro B\u00falgaro\u2019. No cinema fez: \u2018O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili\u2019, \u2018O Xang\u00f4 de Baker Street\u2019, \u2018Est\u00f4rvo\u2019, \u2018Quem matou Pixote?\u2019, entre outros. Na TV fez \u2018Amaz\u00f4nia\u2019, \u2018S\u00edtio do Pica-pau Amarelo\u2019 (interpretou o personagem Visconde de Sabugosa), \u2018Dona Flor e seus dois maridos\u2019, \u2018Explode Cora\u00e7\u00e3o\u2019, \u2018Engra\u00e7adinha\u2019, \u2018Incidente em Antares\u2019, \u2018Salom\u00e9\u2019, \u2018Grupo Escolacho\u2019 e \u2018Fant\u00e1stico\u2019, onde foi o Pereira do quadro \u2018Emprego de A a Z\u2019, em que sempre entrava pelo cano. Atualmente tem feito \u2018A Grande Fam\u00edlia\u2019 no papel do Mesquita, chefe do Lineu na reparti\u00e7\u00e3o.<br><br>GILLRAY COUTINHO &#8211; Pr\u00eamios Eletrobr\u00e1s e Qualidade Brasil de melhor ator por \u2018O P\u00facaro B\u00falgaro\u2019, tamb\u00e9m indicado ao Pr\u00eamio Shell, Gillray \u00e9 ainda autor e diretor. Com Aderbal Freire-Filho, Dudu Sandroni e Marcos Vogel esteve, entre 1990 e 1996, \u00e0 frente do Centro de Demoli\u00e7\u00e3o e Constru\u00e7\u00e3o do Espet\u00e1culo, e atuou nas pe\u00e7as \u2018Estatuto de Gafieira\u2019, \u2018O que diz Molero\u2019, \u2018O P\u00facaro B\u00falgaro\u2019, \u2018Hamlet\u2019, \u2018Luzes da Bohemia\u2019, \u2018No ver\u00e3o de 96\u2026\u2019, \u2018Lima Barreto ao terceiro dia\u2019, \u2018O tiro que mudou a hist\u00f3ria\u2019 e \u2018A mulher carioca aos 22 anos\u2019. No cinema atuou em \u2018Os Normais 2\u2019, \u2018A Grande Fam\u00edlia, o Filme\u2019, \u2018Meu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny\u2019 e \u2018Bonitinha, mas ordin\u00e1ria\u2019. Na televis\u00e3o participou de \u2018Malha\u00e7\u00e3o\u2019, \u2018JK\u2019 e \u2018Fant\u00e1stico\u2019, onde foi o protagonista do quadro \u2018Emprego de A a Z\u2019, fazendo o Clayton, protagonista da hist\u00f3ria, que aprontava todas.<br><br>ISIO GHELMAN &#8211; Em teatro fez in\u00fameros trabalhos, sendo o mais recente \u2018Mobby Dick\u2019 (dir. Aderbal Freire-Filho). Na TV, entre muitos trabalhos, fez \u2018Aline\u2019, \u2018Fant\u00e1stico\u2019 e \u2018Amaz\u00f4nia\u2019. Recentemente protagonizou a sitcom nacional \u2018Gente Lesa\u2019 no Canal GNT. No cinema, fez \u2018A viagem de volta\u2019, \u2018Maria, a m\u00e3e do filho de Deus\u2019 e \u2018Zuzu Angel\u2019.<br><br>JOS\u00c9 MAURO BRANT &#8211; Pr\u00eamio Mambembe de melhor ator por \u2018Tuhu, o menino Villa Lobos\u2019. Atuando desde 1987, participou de mais de 40 produ\u00e7\u00f5es. Seu primeiro CD, \u2018Cantos, Contos e Acalantos\u2019, ganhou em 2003 o Pr\u00eamio TIM de M\u00fasica de melhor CD Infantil. Em 2006, ganhou o Pr\u00eamio Rival\/Petrobras de m\u00fasica brasileira na Categoria Atitude. Trof\u00e9u Mambembe de melhor ator coadjuvante\/1997. Em 2004 lan\u00e7ou o livro \u2018Enquanto o sono n\u00e3o vem\u2019 pela Ed. Rocco.<br><br><br><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><br>\u00a0<br>O P\u00facaro B\u00falgaro<br>Dire\u00e7\u00e3o de Aderbal Freire-Filho<br>Texto original: \u2018O P\u00facaro B\u00falgaro\u2019, de Campos de Carvalho<br>Com Ana Barroso, Candido Damm, Gillray Coutinho, Isio Ghelman e Jos\u00e9 Mauro Brant\/Augusto Madeira<br>Classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria: 14 anos<br>Dura\u00e7\u00e3o: 120 minutos<br>Local: Teatro Tobias Barreto<br>Endere\u00e7o: Av. Presidente Tancredo Neves, 1997<br>Telefone\/informa\u00e7\u00f5es: 3179-1490<br>Dia e hor\u00e1rio da apresenta\u00e7\u00e3o: 27 de janeiro, \u00e0s 21:00h<br>Valor do ingresso: R$ 20,00<br>Meia-entrada: para estudantes, menores de 18 anos, maiores de 60 anos e professores da rede estadual de ensino. 50% de desconto, sob o valor da inteira, para portadores do cart\u00e3o PETROBRAS na compra de at\u00e9 02 ingressos.<br><br><br><strong>FICHA T\u00c9CNICA<\/strong><br><br>Autor: Campos de Carvalho<br>Romance\u2013em\u2013cena de Aderbal Freire-Filho<br>Elenco: Ana Barroso, C\u00e2ndido Damm, Gillray Coutinho, Isio Ghelman e Jos\u00e9 Mauro Brant\/Augusto Madeira<br>Cen\u00e1rio: Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque<br>Figurino: Biza Vianna<br>M\u00fasica: Tato Taborda<br>Luz: Maneco Quinder\u00e9<br>Iluminador assistente: Carlos Lafert<br>Dire\u00e7\u00e3o de Cena e Opera\u00e7\u00e3o de Som: Marco Bay<br>Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Tiago Lopes<br>Ger\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o: Ney Motta<br>Dire\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o: Willian Taranto<br>Produtor Executivo: Gillray Coutinho<br>Produ\u00e7\u00e3o Original: Teatro Poeira \u2013 Marieta Severo &amp; Andr\u00e9a Beltr\u00e3o<br>Realiza\u00e7\u00e3o: IDARTE Produ\u00e7\u00f5es Art\u00edsticas Ltda<br>Patroc\u00ednio: PETROBRAS, Lei de Incentivo \u00e0 Cultura e Governo Federal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O P\u00facaro B\u00falgaro, encena\u00e7\u00e3o de Aderbal Freire-Filho para o texto hom\u00f4nimo de Campos de Carvalho, far\u00e1 apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica em Aracaju no pr\u00f3ximo dia 27, a partir das 21:00 h, no Teatro Tobias Barreto. O espet\u00e1culo estreou em 1\u00ba de junho de 2006, no Teatro Poeira (RJ), onde cumpriu temporada de seis meses, tornando-se um dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":{"0":"post-495","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=495"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/495\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":497,"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/495\/revisions\/497"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}