{"id":655,"date":"2009-09-17T13:10:39","date_gmt":"2009-09-17T13:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/?p=655"},"modified":"2020-11-11T13:12:13","modified_gmt":"2020-11-11T13:12:13","slug":"comunicacao-para-tempos-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciaunicom.com.br\/blog\/comunicacao-para-tempos-de-crise\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o para tempos de crise"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cFazer mais com menos\u201d ou fazer cada vez \u201cmais com simplesmente nada\u201d parece que virou um mantra corporativo nestes cen\u00e1rios inst\u00e1veis de crise financeira. Diversas empresas t\u00eam levado a redu\u00e7\u00e3o de custos a n\u00edveis caricatos &#8211; como a retirada de celulares de gerentes e a obrigatoriedade de uso de \u00f4nibus, ao inv\u00e9s de t\u00e1xi, para diretores (\u00e9 verdade, conhe\u00e7o alguns casos). Tudo bem, dir\u00e3o voc\u00eas: se for pela salva\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio. E eu direi tudo bem tamb\u00e9m se n\u00e3o resultar em paran\u00f3ia completa ou burrices com tintura de id\u00e9ia genial que atingem em cheio o funcionamento eficiente do pr\u00f3prio neg\u00f3cio.<br>\u00a0<br>Para a \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, classificada como custos, pois muitas vezes olhada como \u201caquele pessoal que organiza festas\u201d ou \u201caquela turma que vai fazer o jornalzinho do projeto\u201d, a crise surge como mais um desafio. Porque o \u201cmais com nada\u201d torna-se uma verdadeira ditadura financeira sobre a vida profissional e o fluir necess\u00e1rio da comunica\u00e7\u00e3o entre times de trabalho, clientes e demais p\u00fablicos de interesse das empresas.<br>\u00a0<br>Nessa linha de pensamento, solu\u00e7\u00f5es como estimular a comunica\u00e7\u00e3o face a face aparecem como a salva\u00e7\u00e3o da lavoura. Quer coisa mais barata do que conversar? Genial! Mas, depois de cancelar a circula\u00e7\u00e3o do jornal interno e cortar as campanhas internas previstas para o ano (al\u00e9m de tesourar a verba da ag\u00eancia de publicidade), abracadabra: como fazer dos gestores o canal mais confi\u00e1vel para a comunica\u00e7\u00e3o interna?<br><br>Surgem id\u00e9ias fabulosas ent\u00e3o, como uma concorr\u00eancia com consultorias especializadas &#8211; umas oito ou dez empresas (outro absurdo completo gerado pela tirania do buscar o menor custo poss\u00edvel), para treinar executivos a falar! Ora, treinamento para falar direito a gente faz com papagaio, n\u00e3o com gente e, portanto, muitas horas \u00fateis s\u00e3o perdidas nessa tarefa. Mesmo porque o projeto original da consultoria vencedora ganha redu\u00e7\u00f5es brutais para se adaptar ao que restou do budget original.<br>\u00a0<br>\u201cComo? Comunica\u00e7\u00e3o face a face n\u00e3o deveria ser t\u00e3o caro assim\u201d diz o financeiro! E o projeto que iria mexer com o emocional, iria desmontar barreiras, humanizar rela\u00e7\u00f5es e integrar equipes sobrecarregadas e desmotivadas acaba tornando-se uma corrida contra o rel\u00f3gio. Executivos hiper atarefados, impacientes, aglomerados numa sala, sempre atendendo o celular acabam sendo treinados em t\u00e9cnicas de \u201ccomo passar os objetivos da empresa de maneira r\u00e1pida\u201d ou \u201ccomo aperfei\u00e7oar o tempo gasto numa reuni\u00e3o de face a face\u201d. Viram? O verdadeiro face a face foi pro brejo.<br>\u00a0 \u00a0<br>E assim a empresa acaba tratando muitos empregados na base da pr\u00e9-hist\u00f3ria onde a conversa face a face \u00e9 de cinco minutos e serve apenas para dar ordens e lembrar sobre? Custos! O que me lembra de um empregado numa recente entrevista que fiz: \u201cO face a face aqui tem uma face s\u00f3!\u201d registrando, cabisbaixo, o mon\u00f3logo da chefia com seus subordinados.<br>\u00a0<br>Brincadeiras \u00e0 parte. Quero terminar dizendo que os exageros e as a\u00e7\u00f5es sem reflex\u00e3o colocam projetos e modelos de gest\u00e3o em risco, comprometem a inova\u00e7\u00e3o, criando locais onde o erro \u00e9 intoler\u00e1vel. Desumanizando rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 que ordens e cortes inexplic\u00e1veis atingem diretamente os cora\u00e7\u00f5es humanos e transformam organiza\u00e7\u00f5es inteiras em cremat\u00f3rios de valores.<br>\u00a0<br>Sim, cora\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es, intang\u00edveis que merecem entrar nos c\u00e1lculos financeiros. Mas isso j\u00e1 \u00e9 mat\u00e9ria para outro artigo. Vou ficando por aqui, pois j\u00e1 me ensinaram que escrever \u00e9 cortar palavras e n\u00e3o acusarem mais os comunicadores de n\u00e3o fazer economia em tempos de crise.<br>\u00a0<br>Luiz Ant\u00f4nio Gaulia \u00e9 jornalista, publicit\u00e1rio e consultor de empresas.<br>Escreve no BLOG DO GAULIA (http:\/\/gaulia.blogspot.com) e no twitter: www.twitter.com\/gaulia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFazer mais com menos\u201d ou fazer cada vez \u201cmais com simplesmente nada\u201d parece que virou um mantra corporativo nestes cen\u00e1rios inst\u00e1veis de crise financeira. 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