More

    Modelo de notícias pagas em discussão

    A cobrança por notícias na internet é o tema do momento na indústria jornalística. Publicações querem, e precisam, ampliar a receita de seus sites; leitores não gostam nada da ideia de ter que pagar por algo que têm, hoje, de graça. O New York Times já anunciou que planeja cobrar pelo acesso a sua página no próximo ano, e o magnata Rupert Murdoch, dono da News Corporation, quer fazer o mesmo com todos os sites de sua companhia.
    Para o publisher do New York Times, Arthur Sulzberger, este é o momento para que jornais comecem a cobrar pelo acesso aos seus sites. “Há uma oportunidade, creio eu, para que tenhamos lucros com este modelo pago”, ressaltou a executiva-chefe e presidente do grupo New York Times, Janet Robinson, em participação no congresso Bloomberg BusinessWeek Media Summit, realizado na semana passada em Nova York.

    “A notícia vem até você”

    Para Merrill Brown, chefe de estratégias do Journalism Online, mais de 1,3 mil publicações em todo o mundo já expressaram interesse nos serviços oferecidos pela empresa – fundada no ano passado – para ajudar grupos de comunicação a gerar receita na web. “Todos estão contemplando uma estratégia paga, de um jeito ou de outro”, disse. “Leitores não pagariam por matérias ‘transformadas em commodity’, mas sim por conteúdo especializado, como cobertura aprofundada de seu time ou informações que apenas os jornais locais têm”. Ainda segundo Brown, estudos indicam que, nos EUA, mais de 20% dos visitantes regulares de sites de notícias estariam dispostos a pagar pelo acesso.
    Andrew Keen, autor do Culto do Amador, livro que oferece um olhar crítico do impacto da internet na cultura, vai além. Ele acredita que a indústria jornalística “deu um tiro no pé” ao não cobrar imediatamente por conteúdo na web, embora tenha o direito de fazê-lo agora. “Temos que lutar contra a ‘cultura do gratuito’, que sugere que grandes empresas de mídia não têm direito de cobrar pelo conteúdo”, opinou.
    Do time dos contrários à cobrança pelo acesso online, Michael Wolff, fundador do site agregador de notícias Newser e autor de um livro sobre Murdoch, pensa que qualquer tentativa de fazer os leitores pagarem por conteúdo na web está fadada ao fracasso. “Não vamos pagar por notícias que já temos em todos os lugares. Se você está conectado, de algum modo, a notícia vem até você”, disse. Richard Gingras, executivo-chefe da revista Salon, também é cético ao desejo de leitores pagarem pelo acesso online. “É muito difícil convencer alguém sobre o valor de uma notícia”.

    Compartilhar

    Últimas notícias

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Por favor digite seu comentário!
    Por favor, digite seu nome aqui

    Artigos relacionados

    Planejar o futuro financeiro é tema de encontro gratuito em Aracaju

    Evento gratuito promovido pela Unicred Desbravadora e Quanta Previdência reúne especialistas para falar sobre...

    60 bilhões para Sergipe: a revolução do petróleo começa em 2027

    Infraestrutura do Sergipe Águas Profundas atenderá duas plataformas da Petrobras, com capacidade para processar...

    Fim de uma era: redes sociais já são a principal fonte de notícias

    Estudo mostra que redes sociais e vídeos já são a principal fonte de informação...

    Deso promove cidadania, educação ambiental e incentivo à leitura no Sergipe é aqui, em Macambira

    Companhia ofertou serviços comerciais, doação de mudas e livros, além de ações lúdicas durante...